terça-feira, 25 de dezembro de 2007

It´s Too Late, a oportunidade perdida de Johnny Rivers.

23.12.2007












Geralmente as músicas que falam sobre rompimentos ou separações, são tristes e mórbidas, recriando aquele clima de desilusão da perda de um grande amor. Alguns como Nick Cave até compuseram álbuns inteiros sobre o tema (The Boatman's Call – 1997 ), mas nem sempre deve-se ser assim, e “It´s too late” prova isso. Essa é uma canção linda e alegre, parece meio disco, meio festiva e em nada lembra o sentimento de perda. Começa-se com um órgãozinho em profusão a lá jovem guarda, enquanto esse siguezagueia um violão e um bateria abafada dão a levada da música, que é de certa forma simples, porém cativante. A letra mostra um rapaz que acaba de perder a pessoa amada, mas que de início ainda está disposto a pelo menos tentar reatar, na verdade ele está contando isso a alguém, e deve ser num bar ou numa festa pelo clima de descontração. Acho que as grandes ironias da vida com o passar do tempo devem com certeza causar mais escárnio do que indignação, não deve ser fácil ouvir de quem se ama com ar de riso nos lábios que encontrou um outro amor e que a partir de agora vai esquece-lo. O narrador não fala o que exatamente aconteceu, já parte do fato, mas da pra supor que não tenha sido nada grave pelo menos para a garota, porque depois de algum tempo ela confessa sua decepção e arrependimento de decide voltar: “ And now you tell me, Thar your new love isn´t true, Like he should be, You say you´re gonna forget him, And you´re gonna come back to me.”

It´s too late

It´s too late ( chorus )

Surge daí uma pergunta, o amor tem direito de acabar, ou amor que é amor nuca acaba? O narrador prossegue dizendo que as coisas mudaram, oras, você não quis ir embora quando eu quis reconciliar, agora eu também arrumei um novo alguém e agora é muito tarde. Ele aproveita a ocasião pra dizer talvez o que estava preso em seu coração há muito tempo, das suas tentativas em chama-la, das suas noites de solidão e de como todos foram testemunhas de seu amor, e implicitamente ela também o sabia. Ela esperava encontra-lo de braços abertos esperando a sua volta, na vã esperança de que o sentimento não tivesse morrido, porém ele alega não ser o mesmo tolo que foi usado e humilhado, e que ela não tem o direito de voltar. Alguns seres humanos acreditam ter a posse do outro e se esquecem que um relacionamento é bi-lateral, é uma relação entre duas pessoas com direitos e deveres, e escolhas também, certas ou erradas, e que não se pode brincar de tiro ao alvo com o coração alheio. Acredito que o amor pode acabar porque ele tem sempre um começo, e ainda mais quando há um trauma envolvido, o ser ferido e zombado pela outra parte tende a projetar sua pulsão de morte contra esse outro, invertendo o sentimento, do amor ao ódio, como nos extremos de um fita de cetim que se desfaz no ar como um laço quando desatado.

That it´s too late

To say you´re sorry

It´s too late

To say you´re mine

I have found myself a new love

And I´m gonna make her mine

It´s too late

It´s too late

“ No transcorrer do tempo, uma oportunidade perdida, estará perdida para sempre. “

Heráclito.

sábado, 17 de novembro de 2007

Bjork - Isobel




















Björk - Isobel

Isobel começa com um arranjo expansivo, crescente, metais que anunciam uma espécie de despertar. Incorpora-se a isso uma verve de batuques misturados com samples, essa alternância é estritamente ritmada e harmoniosa, e a impressão é que se está no meio de uma densa floresta.

Essa é uma música com um feeling perfeito, pois consegue criar musicalmente o que diz a letra, pois o primeiro verso diz: “ In a Forest pitch-dark. Glowed the tiniest spark. It Burt to flame. Like me.... ( Em uma floresta extremamente escura. Brilhou uma faísca minúscula. Ela explodiu em chamas. Como eu.... ) ”, é como se penetrasse-mos nesse universo misterioso, obscuro como a própria cantora.

Essa faísca indica ao meu ver a vida, uma vida que acabará de nascer e a explosão é a consciência do existir, de ser e fazer parte de algo maior, de integrar-se ao cosmos. A letra fala um pouco sobre o egoísmo humano, sobre a individualidade e de como a grandeza da vida é surpreendente e de como jogamos tudo isso fora nos fechando num casulo de vaidades.

Isobel é talvez um alterego coletivo, vive sozinha, ama a si mesma, têm um coração cheio de pó, vazio como um armário velho, habitado por um criatura chamada luxúria, Björk ironiza dizendo a seguir: “ It surprises and scares. Like me....( Ela surpreende ( a luxúria ) e assuta. Como eu.... )”, como todos nós, que ficamos pasmos como nossas atitudes. Depois da segunda repetição do refrão, a música torna-se épica, com grandes conjuntos de violinos cortantes, com uma orquestração de fundo como um concerto campestre, duelando com o tribalismo das batidas sampleadas, e uma sensação de grandiosidade toma conta da música acompanhada pela textura macia da voz de Bjork.

Não dá pra negar que é um música exótica, mas a própria beleza em sua subjetividade, se esvazia na repetição, na mesmice, pois a igualdade muitas vezes perde a singularidade, seu caráter, sua identidade. E para aqueles que não conhecem o trabalho de Björk, esse é pautado pela singularidade, pela combinação de modernidade e rusticidade, mesclando sons estranhos criados pela mistura de influência distintas e instrumentos pouco usuais.

A letra cita o cinismo do arrependimento, o teimar, quando ela ( Isobel ) faz isso, é pra valer, diz o verso, a mariposa entrega a mensagem dela, como se fosse um legado, uma maldição, uma condenação como a Sísifo, onde no final ela ficará “ rastejando em silêncio uma simples desculpa ( Crawling in the silence. A simple excuse ) ” .

A torre de aço é a convicção, é a certeza, são os valores de um civilização que aprendemos desde pequenos, ou como cantou Renato Russo: “ Desde pequenos fomos programados. A receber de voceis..........”, ou seja, esses conceitos são quase dogmáticos e nos desenvolvemos como humanos com essas noções, tomando como verdades coisas que nem sempre o são. A música fecha com outra sentença: “ Nacture forges a deal. To raise wonderful hell. ( A natureza forja um acordo. Para criar um inferno maravilhoso. Como eu.... ) ”, somos mesmo um inferno? E maravilhosos?

Depende, pois talvez sejamos, mas o que intriga é que esse mecanismo é nossa própria culpa, pois nos fechamos nessa gaiola e egocentrismo e tornamos esse mundo um espelho, que reflete o que nós mesmo somos.

*Esse é apenas um texto teste, escrito há algum tempo, não liguem para os erros e para a tradução da letra.